Aporte e decomposição de serapilheira em área pósmineração em processo de recuperação com espécies florestais

Bruno Eustáquio Cirilo Silva, Marlinda Rufina Jolomba Silva, Eduardo Ferreira Medina

Resumo


O trabalho teve como objetivo avaliar o aporte e a taxa de decomposição da serapilheira. O estudo foi conduzido em Miraí (MG), no período de outubro de 2013 a setembro de 2015. Foi utilizado o delineamento em blocos casualizados no esquema de parcelas subdivididas, com três repetições. As parcelas receberam diferentes coberturas arbóreas, sendo o primeiro tratamento composto exclusivamente, por eucalipto (Eucaliptus urograndis) (PE), o segundo por angico vermelho (Anadenthera
macrocarpa) (PA), enquanto o terceiro envolveu 16 espécies nativas da região (PM). As subparcelas receberam diferentes tipos de adubações. A avaliação da produção de serapilheira foi realizada pela instalação de coletores com 4 m² suspensos 0,5 m acima do solo, alocados nas entrelinhas de plantio, totalizando três coletores por subparcela. A quantidade de serapilheira acumulada no solo foi determinada com o auxílio de um gabarito de 0,25 m², lançado cinco vezes aleatoriamente nas subparcelas. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste Tukey a 10 % de probabilidade. O PE foi o que apresentou maior aporte mensal de serapilheira, enquanto PA foi o menor. O tipo de adubação não influenciou significativamente o aporte total e médio da serapilheira. Na interação da cobertura florestal com a época do ano, houve influência significativa na produção de serapilheira do PM, com maior produção na época seca. A taxa de decomposição do
PA e do PM foram influenciadas significativamente pela interação cobertura florestal x época do ano, com maior taxa de decomposição na época chuvosa.

Palavras-chave


Ciclagem de nutrientes. Áreas degradadas. Florestas plantadas.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18406/2316-1817v10n220181098

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